Me surpreendeu o documentário Homo Sapiens 1900 (1998), do diretor sueco Peter Cohen, que assisti na aula de ontem. O autor usa um vasto acervo fotográfico para contar a história da eugenia – métodos de purificação da raça e aperfeiçoamento do ser humano praticados desde o início do século XIX na Europa e nos Estados Unidos. Sempre relacionei a ideia de eugenia com o regime nazista alemão, e descobrir isso como uma ciência praticada na Rússia e na Suécia, por exemplo, e que gerou centros de pesquisa ao redor do mundo foi perturbador. Enquanto os Estados Unidos aprovava leis de esterilização em massa e eliminação dos “dementes e defeituosos”, a Rússia media cérebros para descobrir como produzir gênios. Não é que não soubesse de algumas dessas coisas, mas nunca tinha pensado muito no assunto. Boa aula de Contemporânea, boa reflexão sobre o tema.
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Vestígios no presente
Depois de saber que centros de ciências e governos promoveram dúzias de concursos para encontrar bebês, homens, mulheres e família inteiras que fossem exemplos vivos da perfeição humana, altos, loiros, com nariz fino etc, fiquei pensando se os tantos concursos de miss promovidos ao redor do globo durante o século XX, não teria ainda hoje alguma relação com esse passado científico. A Marta Rocha e suas duas polegadas talvez tenham um conhecimento de causa mais preciso, mas a busca por um corpo perfeito, dentro de medidas perfeitas é cada vez mais uma obsessão da sociedade atual. Sem falar que toda novidade sobre fecundação e genética aparece na TV como a possibilidade de se produzir o bebê perfeito, bonito e sem doença alguma. A diferença nisso tudo, é que o termo eugenia ficou relacionado com o nazismo, então pega mal ficar falando que ainda é praticada.
Ah… e não me entendam mal, não estou pregando aqui nada contra todo o avanço científico e tecnológico da humanidade, que melhora a minha vida e cura um monte de pestes, apenas pensando sobre o modo como algumas coisas acabam acontecendo.
março 30, 2010 às 9:57 pm
Agora eu fiquei super interessada.
Era aula do Enrique?
março 30, 2010 às 10:11 pm
Sim. Aula muito boa, debate nem tanto.